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Dulce Rodrigues, escritora

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PORTUGUÊS, MAIS BELA LÍNGUA MATERNA

A língua é a alma de um povo.

© Dulce Rodrigues


 
 

Erros de português

Este mesmo artigo foi anteriormente publicado no meu blogue de 2011, mas, atendendo a que o assunto é igualmente de carácter linguístico, tem o seu lugar também aqui nesta página sobre língua materna.

Ao fazer uma pesquisa sobre as Regiões de Turismo em Portugal, dei com um comentário na página Diplomata Tours em que um tal Sr. Filipe Gomes escrevia, a 28 de Dezembro de 2007: Sem duvida que portugal cada vez mais est+a nos olhos de turistas extrangeiros. Um bom exemplo disso é esta casa de Turismo de Habitação, que conheço, e a sua ocupação baseia-se essencialmente em turistas extrangeiros. Se achar oportuno, pode divulgar.

Realmente é interessante. O dito senhor escreve ‘portugal’ com letra minúscula e depois escreve ‘Turismo de Habitação’ com letra maiúscula. Que a auto-estima de certos Portugueses é baixa, já se sabe. Mas a este ponto, é espantoso. A não ser que seja ignorância, pois o dito senhor também escreve ‘extrangeiros’ com “x”, 'duvida' sem acento (este erro é de menor importância)... Mas, mesmo um analfabeto certamente tem a mínima noção de que o nome de um país, tal como o de qualquer pessoa, se escreve com maiúscula. A falta de auto-estima deve, pois, ser a razão de tremendo erro.

 
 
 

Aprendizagem da língua materna

Tal como para todo e qualquer outro campo do conhecimento, o alicerçamento da aprendizagem da língua materna faz-se na escola, a instituição vocacionada para o ensino. Como para qualquer outra matéria – mas sobretudo porque a linguagem é uma forma de expressão e compreensão de um determinado código – a melhor maneira de a aprendermos é através da leitura. Tratando-se de uma língua viva, desnecessário se torna insistir em que a sua aprendizagem passa também pela prática oral.

A língua é o veículo de comunicação por excelência – embora também possamos comunicar por muitas outras formas, nomeadamente através da música e das artes plásticas; aliás as primeiras formas de escrita foram pictográficas. O estudo da nossa língua materna é fascinante, e pena é que os professores, em muitos casos, não sejam capazes de fazer passar a mensagem. Cada palavra encerra uma história, muitas vezes ligada à própria História, e o conhecimento da história dessa palavra poderia contribuir para que, não só se falasse melhor a nossa língua materna, mas também se tivesse mais interesse na sua aprendizagem. Vou dar três exemplos.

Todos nós empregámos certamente já alguma vez a palavra "chauvinista", para definirmos um determinado defeito desta ou daquela pessoa. Esta palavra teve origem em Nicolas Chauvin, um dos soldados de Napoleão, cujo nacionalismo exacerbado ultrapassou de tal modo o de qualquer outro soldado francês, que deu origem ao adjectivo "chauvinista".

Como segunda palavra escolhi "narcisismo", que significa amor exclusivo da sua própria pessoa e tem origem na mitologia grega: Narciso era um jovem de uma rara beleza. Um dia, ao ver a sua imagem reflectida na água de uma fonte, apaixonou-se por essa imagem de si próprio e acabou por morrer de amor, pois não conseguia agarrar esse outro ele-próprio pelo qual se apaixonara. No sítio onde morreu, nasceu a flor que tem o seu nome – o narciso.

A terceira palavra é "Florida", nome de um dos 50 estados norte-americanos. De novo a sua origem é histórica: quando Cristóvão Colombo chegou ao continente americano, viu aquela região toda cheia de flores e chamou-lhe terra florida - mais tarde ficou a chamar-se só Florida. Neste caso específico, se a grande maioria das pessoas - a começar pelos nossos políticos e jornalistas - conhecessem a origem da palavra, evitariam o erro de dizerem "Flórida".

Num próximo artigo, darei um breve resumo sobre a evolução das línguas latinas, com especial referência à nossa língua materna – o português.

 
 
 

Cursos de língua materna – Diferentes contextos

No anterior artigo sobre este tema, definimos "língua materna". Vamos agora reflectir sobre várias situações em que a mesma se pode desenvolver e pelas quais é influenciada.

1 – No caso de uma criança que nasceu ou emigrou muito cedo para um país que não é o dos seus pais – portanto, em que não se fala a sua "língua materna" – o fenómeno que se verifica é que essa criança, em princípio, vai ter pelo menos duas "línguas maternas" (partindo do princípio de que tanto o pai como a mãe têm a mesma língua materna):

  • a "língua materna", propriamente dita – que será falada em casa pelos pais
  • a "língua do país de acolhimento", pois será nessa língua que comunicará com os restantes membros da sociedade em que está inserida; e será nessa língua que começará a ser feita a aprendizagem escolar, ou seja, a sua evolução intelectual

NB¹: se – como infelizmente tenho verificado em muitos casos de emigrantes portugueses – os pais não falarem com a criança na sua língua materna (mas sim na língua do país de adopção), estarão a empobrecer irremediavelmente o património cultural da criança, pois a sua aprendizagem na língua materna será ainda mais deficiente. E este facto é tanto mais grave quanto mais baixo for o grau de instrução dos pais, pois estarão a "ensinar-lhes" uma língua que eles próprios não sabem – entre dois males, há que escolher o menor, ou seja, os pais devem falar na sua língua materna, que é a que dominam melhor.

NB²: mesmo que os pais dominem bastante bem a língua do país de adopção, devem igualmente falar com os filhos na sua língua materna – com excepção, evidentemente, das situações sociais ocasionais em que se falará a língua mais comum no grupo(o código social a isso obriga). Se o não fizerem, os pais estarão a reduzir lamentavelmente o enriquecimento intelectual e cultural dos seus filhos, que em vez de duas línguas e culturas, só aprenderão uma.

2 – No caso em que os pais da criança não têm ambos a mesma língua materna, duas situações se nos apresentam: (a) ou o pai ou a mãe tem como língua materna a língua do país de adopção; (b) nem o pai nem a mãe tem a mesma língua materna do país de adopção.

  • no caso (a), haverá uma língua que terá vantagem sobre a outra: a língua do país de adopção, pois é também a língua materna de um dos progenitores
  • no caso (b), o enriquecimento intelectual da criança será tanto maior quanto a aprendizagem de três línguas será mais enriquecedora do que duas; e ambas as línguas maternas dos progenitores estarão em igualdade

3 – Deixei para terceiro lugar o caso mais comum de aprendizagem da língua materna: aquele em que a língua materna é a do próprio país (o nosso e o dos nossos pais). Em princípio, a sua aprendizagem não deveria constituir problema, se houvesse consciencialização desse facto, o que não parece passar-se em Portugal, onde até os jovens imigrantes (sobretudo de Leste) falam melhor o português do que os próprios Portugueses.

Tanto no caso 1 como 2, haverá que ter em atenção que, para que a(s) língua(s) materna(s) se desenvolva(m) harmoniosamente, necessário é que a sua aprendizagem obedeça aos critérios básicos: vocabulário e gramática. Caso contrário, como já vimos anteriormente, a linguagem não seria mais do que um conjunto de palavras e frases sem sentido: saber "dizer umas coisas" numa língua não significa saber falar essa língua. Os papagaios também "falam".

Os casos apontados acima não dizem respeito a "esta" ou "aquela" língua materna, mas sim à "língua materna" em geral. No caso específico da língua portuguesa, que é o que particularmente nos interessa – penso eu – gostaria de lembrar os seguintes factores e insistir na sua importância:

  • o português é a terceira língua europeia mais falada no mundo, sendo o castelhano a primeira e o inglês a segunda
  • o português é a quinta língua internacional mais falado no mundo, visto que neste caso já tem de se considerar o mandarim (China) e o hindi (Índia)
  • a universalidade da língua portuguesa tem algo a ver com o mito do quinto império – embora este ponto seja matéria para um ensaio completo, longe da pretensão deste artigo

 
 
 

Cursos de língua materna - uma mais-valia

Além de uma mais-valia, os cursos de língua materna são igualmente vitais na aprendizagem de línguas estrangeiras – a aprendizagem destas últimas será sempre feita com referência à nossa língua materna. Quem não souber correctamente a sua língua materna (dentro dos limites considerados "correctamente", claro; pois ninguém pode pretender dominar perfeitamente uma língua, nem mesmo a sua língua materna) nunca conseguirá falar bem uma outra língua. Os exemplos de pessoas que encontramos diariamente são uma prova evidente do que afirmo: saber "dizer umas coisas" para se fazer entender pelo seu interlocutor não significa saber falar a língua dele. E se o iletrado, por vezes, até na sua língua materna compreende "alhos por bugalhos", o que não será relativamente a uma língua estrangeira, cuja expressão passa – pelo menos numa primeira fase de aprendizagem – pela referência à sua língua materna?

Quanto mais à vontade estivermos na nossa língua materna, mais fácil será compreendermos uma outra língua; por outro lado, quantas mais línguas sabemos, igualmente mais fácil será aprendermos outras – é como uma bola de neve. Quanto mais sabemos, mais queremos saber; e quanto mais sabemos, mais nos apercebemos de que o nosso saber é uma gota de água num vasto oceano. Só uma "doce ignorância" poderá levar a acreditar que se sabe muito e que nada mais se tem a aprender. Costuma até usar-se uma explicação matemática para demonstrar por que razão os que sabem pouco julgam que sabem muito, e aqueles que sabem muito têm a humildade de considerar que "nada sabem".

Antes de continuar, todavia, a expor o meu ponto de vista quanto à necessidade de aprendizagem da língua materna, importa esclarecer aqui o que é a "língua materna". O seu contexto nem sempre é o mesmo; depende de várias situações e factores.

Na sua significação original, "língua materna" é aquela que aprendemos ainda no berço e que nos é transmitida pela nossa mãe. Quando nascemos não vimos nem ouvimos; mas rapidamente estes dois sentidos se desenvolvem e, aos quatro meses, já adquirimos a capacidade de distinguir sons, sobretudo vozes humanas, sendo a da nossa mãe a mais importante e que identificamos claramente de entre as outras. E a primeira palavra que, regra geral, aprendemos a dizer é "mamã" na nossa língua materna! Não é por acaso que assim é: à medida que vai satisfazendo as nossas necessidades vitais, como dar o biberão ou mudar as fraldas, a nossa mãe vai-nos falando na sua língua – que será a nossa língua materna – repetindo invariavelmente a própria palavra "mamã". Há certos linguistas que defendem uma razão puramente de carácter linguístico para justificar que as primeiras palavras que geralmente aprendemos são "mamã" e "papá", mas decerto que eles nunca se ocuparam dos filhos, por isso explicam como um fenómeno mecanicamente linguístico aquilo que resulta simplesmente de um acto normal de evolução subjectiva da criança. A minha própria experiência como mãe assim mo demonstrou.

A linguagem infantil vai depois passando por várias fases, correspondentes aos diferentes estados de desenvolvimento da personalidade infantil ou, como prefiro dizer, de evolução intelectual e afectiva da criança. A língua é uma forma de expressão do pensamento, que é subjectivo, por isso, tal como o nosso ouvido "acordou" em determinada altura e tomou consciência do mundo dos sons que o rodeavam - captando-os, assimilando-os e transformando-os em palavras e frases que, por sua vez, foram transmitidas ao subconsciente - igualmente essas palavras e frases foram captadas, assimiladas e estruturadas sob outras formas e expressões verbais pelo nosso subconsciente.

Conforme o estádio de evolução da alma da criança, assim também a sua capacidade de compreensão e expressão da linguagem. Toda esta aprendizagem só é devidamente alicerçada quando a criança entra para a escola e começa a aprender a estrutura gramatical da língua. Para que a linguagem seja mais do que um conjunto de palavras e frases sem sentido, é necessário que ela contenha subjectividade e estrutura gramatical.

Esclarecido o significado original de língua materna, podemos passar agora a analisar quais as situações e factores que, no caso específico de alguém que nasceu ou emigrou muito cedo para outro país, podem fazer variar o contexto de língua materna. É o que farei num próximo artigo.

 
 



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